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Brasil,10/07/2026

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    Moda que transforma: Favelinha Fashion Week ocupa o Museu da Moda com desfile, arte e debate social em Belo Horizonte

    Projeto une sustentabilidade, formação criativa e protagonismo periférico em programação gratuita no Centro da capital mineira


    Moda que transforma: Favelinha Fashion Week ocupa o Museu da Moda com desfile, arte e debate social em Belo Horizonte https://www.instagram.com/remexefavelinha

    A moda produzida nas periferias de Belo Horizonte ganhou espaço de destaque em um dos principais equipamentos culturais da cidade. No último 26 de junho, o Museu da Moda de Belo Horizonte (MUMO) recebeu o desfile “BH é o Texas”, evento que encerra mais uma edição da Favelinha Fashion Week (@ladafavelinha) e apresenta ao público o resultado de meses de formação, criação e experimentação artística desenvolvidos por jovens e moradores de territórios populares.

    Muito além da passarela, a iniciativa reuniu moda, música, cinema e reflexão social em uma programação gratuita que reforçou o potencial da economia criativa como instrumento de inclusão e geração de oportunidades.

    Quando a moda nasce da reinvenção

    O desfile apresentou peças produzidas a partir de processos de reaproveitamento de materiais têxteis, uma prática conhecida internacionalmente como upcycling. A técnica vem ganhando força no mundo diante dos impactos ambientais da indústria da moda, considerada uma das mais poluentes do planeta.

    Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o setor responde por cerca de 10% das emissões globais de carbono e gera milhões de toneladas de resíduos têxteis todos os anos. Nesse contexto, iniciativas que transformam roupas descartadas em novas criações ganham relevância não apenas estética, mas também ambiental.

    Na passarela, os participantes dividiram espaço com o Ateliê Remexe (@remexefavelinha), coletivo criado no Aglomerado da Serra e que se tornou referência em moda sustentável e empreendedorismo comunitário. O grupo atua ressignificando tecidos e peças usadas, transformando resíduos em coleções autorais que carregam identidade cultural, diversidade e consciência ambiental.

    Cultura periférica em evidência

    A programação do evento foi além da moda. Antes e depois do desfile, o público acompanhou apresentações dos MCs da Favelinha e do grupo Favelinha Dance, expressões artísticas que surgiram dentro do próprio ecossistema cultural criado pelo Centro Cultural Lá da Favelinha.

    Nos últimos anos, projetos culturais desenvolvidos em comunidades periféricas têm demonstrado impacto significativo na formação profissional de jovens brasileiros. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que atividades ligadas à cultura e à economia criativa movimentam bilhões de reais anualmente e representam uma importante alternativa de inserção produtiva para populações historicamente excluídas.

    A proposta da Favelinha Fashion Week segue essa lógica: transformar talento em oportunidade e criatividade em geração de renda.

    Moda como ferramenta de inclusão

    Um dos momentos mais aguardados da noite foi a roda de conversa sobre o papel da moda na inclusão social e econômica. O debate reuniu lideranças e profissionais que atuam diretamente na construção de iniciativas voltadas à democratização do acesso à cultura e ao empreendedorismo.

    A discussão ocorre em um momento em que o mercado da moda busca responder a demandas cada vez maiores por diversidade, representatividade e sustentabilidade. Marcas e consumidores têm voltado atenção para modelos produtivos mais responsáveis e para narrativas que valorizem diferentes identidades e territórios.

    A experiência acumulada por projetos comunitários mostra que a moda pode funcionar como instrumento de transformação social, ampliando perspectivas profissionais e fortalecendo o sentimento de pertencimento entre jovens criadores.

    Cinema encerrou a programação

    A noite foi concluída com a exibição do filme Nevou, dirigido por Kdu dos Anjos, fundador do Centro Cultural Lá da Favelinha e um dos nomes mais reconhecidos da produção cultural periférica em Minas Gerais.

    Após a sessão, o público participou de um bate-papo sobre a obra e seus processos de criação, ampliando o diálogo entre audiovisual, arte e realidade social.

    Com entrada gratuita e classificação livre, o evento reforçou uma tendência cada vez mais presente na cena cultural brasileira: a valorização de iniciativas que surgem das periferias e que utilizam a arte como ferramenta de desenvolvimento humano, econômico e coletivo.





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