Frio provoca gripe? Entenda os mitos e verdades sobre as doenças respiratórias no inverno
Casos graves de influenza quase dobraram no Brasil e especialistas alertam para os riscos escondidos por trás da estação mais fria do ano
Gerada por IA Basta os termômetros começarem a cair para que uma velha preocupação volte à rotina dos brasileiros: o aumento das doenças respiratórias. Tosses persistentes, espirros, congestão nasal e falta de ar tornam-se mais frequentes nos consultórios e prontos-socorros. Mas será que o frio é realmente o vilão dessa história?
Os números recentes mostram que o problema merece atenção. Dados do Instituto Todos pela Saúde indicam que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo vírus influenza saltaram de 1.838 registros no primeiro trimestre de 2025 para 3.584 ocorrências no mesmo período de 2026. O crescimento de quase 95% reforça o impacto das infecções respiratórias no país e levanta dúvidas sobre o papel do inverno nesse cenário.
Embora muitas pessoas associem diretamente a queda da temperatura ao surgimento de gripes e resfriados, a relação não é tão simples quanto parece.
O frio não causa gripe, mas ajuda os vírus
Um dos equívocos mais comuns é acreditar que o contato com temperaturas baixas provoca gripe automaticamente. Na prática, o responsável pela doença continua sendo o vírus influenza.
O que acontece é que o inverno cria um ambiente favorável para a circulação desses agentes infecciosos. O ar mais frio e seco interfere nos mecanismos naturais de defesa do organismo, especialmente nas vias respiratórias.
Dentro do nariz existe uma espécie de sistema de proteção capaz de capturar partículas invasoras antes que elas atinjam os pulmões. Com a redução da temperatura, essa barreira se torna menos eficiente. Ao mesmo tempo, os cílios microscópicos que ajudam a eliminar impurezas e microrganismos passam a funcionar de forma mais lenta.
Há ainda um fator comportamental decisivo: durante o inverno, as pessoas permanecem mais tempo em locais fechados, compartilhando o mesmo ar por períodos prolongados. Escolas, escritórios, ônibus e residências tornam-se ambientes ideais para a transmissão viral.
Quem corre mais riscos?
Os idosos continuam entre os grupos mais vulneráveis, mas estão longe de ser os únicos.
Crianças pequenas, gestantes, pacientes imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas também apresentam maior probabilidade de desenvolver complicações decorrentes de infecções respiratórias.
Quem convive com asma, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou fibrose pulmonar costuma sentir os efeitos do inverno de forma ainda mais intensa. O ar gelado pode desencadear crises respiratórias, aumentar a produção de secreções e provocar episódios de falta de ar.
Nos últimos anos, outro fenômeno passou a chamar a atenção dos especialistas: o aumento da procura por atendimento relacionado a sintomas respiratórios persistentes após infecções virais. A pandemia de Covid-19 ampliou a percepção da população sobre a importância da saúde pulmonar e da investigação precoce de alterações respiratórias.
Janelas abertas podem ser mais importantes do que você imagina
Em dias frios, fechar portas e janelas parece uma decisão natural. No entanto, essa prática pode contribuir para o aumento da circulação de vírus dentro dos ambientes.
A ventilação continua sendo uma das medidas mais eficazes para reduzir a concentração de partículas potencialmente contaminadas no ar. Mesmo durante o inverno, manter a circulação de ar ajuda a diminuir o risco de transmissão de doenças respiratórias.
Especialistas recomendam abrir janelas por alguns períodos ao longo do dia, especialmente em locais com grande circulação de pessoas.
Quando uma tosse deixa de ser normal?
Uma gripe comum costuma melhorar gradualmente em poucos dias. O problema surge quando sintomas persistem por semanas.
Tosse contínua, cansaço excessivo, chiado no peito e falta de ar frequentemente são atribuídos ao clima seco ou a uma recuperação lenta. Porém, quando permanecem por mais de três semanas, podem indicar condições mais complexas.
Além de infecções prolongadas, esses sinais podem estar associados a doenças inflamatórias, alterações pulmonares crônicas e até tumores em estágio inicial.
Nesses casos, exames de imagem, como radiografias e tomografias, tornam-se aliados importantes na identificação precoce de problemas que muitas vezes passam despercebidos.
Como proteger os pulmões durante o inverno
Apesar do aumento dos casos respiratórios, as medidas de prevenção continuam acessíveis à maioria da população. Manter a vacinação atualizada, hidratar-se adequadamente, higienizar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados por longos períodos seguem entre as recomendações mais eficazes.
Também é fundamental controlar doenças respiratórias já diagnosticadas e buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes.
Com o envelhecimento da população brasileira e o crescimento das infecções respiratórias sazonais, a prevenção e o diagnóstico precoce tornam-se cada vez mais importantes. Em muitos casos, identificar uma alteração logo nos primeiros sinais pode representar tratamentos mais simples, menos internações e uma melhor qualidade de vida ao longo dos anos.





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