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Brasil,16/07/2026

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    Gastronomia que preserva memórias: conhecendo a história da Queca e da Lamparina pelas mãos de Helena Bastos

    Em Nova Lima, receitas centenárias seguem vivas graças a pessoas que transformam a cozinha em um espaço de memória, cultura e pertencimento. Conhecer essa história pela voz de Helena Bastos é uma experiência que encanta do início ao fim.


    Gastronomia que preserva memórias: conhecendo a história da Queca e da Lamparina pelas mãos de Helena Bastos Camila Sol Fotografia

    Há cidades que contam sua história por meio dos monumentos. Nova Lima também a conta pelos sabores.

    Foi em volta de uma mesa, durante um acolhedor café preparado por Helena Bastos, que começou uma das experiências mais marcantes da programação do Reconecta. Antes mesmo da primeira receita ser apresentada, já era possível perceber que ali a gastronomia ocupa um lugar especial na cultura local.

    Helena recebe cada visitante como quem abre as portas da própria casa. Entre uma xícara de café e quitandas típicas, ela compartilha histórias que revelam como a culinária de Nova Lima atravessou gerações e ajudou a construir a identidade do município.

    Não foi preciso colocar a mão na massa para compreender a importância da Queca e da Lamparina. Bastou ouvir Helena.

    Com uma paixão que transborda em cada palavra, ela apresenta a Queca — receita inspirada no tradicional Christmas Cake inglês e adaptada pelas famílias nova-limenses ao longo de mais de um século. Enquanto conta sua origem, explica como a mistura de frutas cristalizadas, castanhas e especiarias deu origem a um dos maiores patrimônios gastronômicos da cidade.

    É impossível não se envolver. Helena fala com brilho nos olhos, orgulho e um carinho que transforma uma simples receita em um verdadeiro legado cultural.

    Ao apresentar as experiências gastronômicas do Reconecta, ela também conduz os visitantes pela história da Lamparina, outro patrimônio imaterial de Nova Lima. A oficina é ministrada por Maria Queiques, que ensina aos participantes o preparo do tradicional doce de massa folhada e recheio de coco, compartilhando técnicas, curiosidades e as memórias que envolvem essa receita tão representativa da cidade.

    Mais do que divulgar duas oficinas, Helena desperta o desejo de vivê-las.

    Ao final da conversa, fica a certeza de que participar da oficina Mãos à Queca é muito mais do que aprender uma receita. É conhecer a história por trás de cada ingrediente. Da mesma forma, a oficina da Lamparina oferece a oportunidade de mergulhar em uma tradição preservada por gerações pelas mãos de Maria Queiques.

    Em Minas Gerais, a gastronomia sempre foi uma das maiores expressões da cultura. Em Nova Lima, ela ganha ainda mais significado ao preservar receitas que unem influências inglesas, tradições familiares e o orgulho de uma comunidade que faz questão de manter viva sua história.

    E talvez seja justamente esse o maior encanto da experiência.

    Mais do que ensinar receitas, Helena Bastos inspira. Sua forma de contar histórias revela um amor genuíno pela gastronomia e pela cultura de Nova Lima. Ao ouvi-la, entendemos que cozinhar também é um ato de preservação, e que cada receita é um capítulo da história da cidade.

    Quem visita Nova Lima encontra belas paisagens, natureza e patrimônio histórico. Mas encontra, principalmente, pessoas que fazem da gastronomia uma ponte entre passado e presente.

    E conhecer essa história pela voz de Helena Bastos é um privilégio que desperta um único desejo: voltar para viver, do início ao fim, cada uma dessas experiências gastronômicas. Afinal, há sabores que alimentam. Outros permanecem na memória. E Nova Lima sabe fazer os dois com maestria.




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