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Brasil,01/08/2026

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    Glória Barcelos

    Quando o cérebro aprende a reclamar

    Entenda como o hábito da reclamação altera o cérebro, aumenta o estresse e influencia a forma como percebemos a realidade.

    Imagem retirada do banco de imagens do Canva
    Quando o cérebro aprende a reclamar Quanto mais reclamamos, mais fortalecemos as conexões neurais associadas ao pessimismo, à ansiedade e ao estresse.

    Reclamar tornou-se um comportamento tão comum que, muitas vezes, nem percebemos o quanto ele influencia nossa saúde emocional, nossos relacionamentos e a forma como construímos a realidade ao nosso redor. Na tentativa de encontrar acolhimento, é natural compartilhar dores, frustrações e desafios do cotidiano. Entretanto, quando a reclamação deixa de ser um desabafo pontual e se transforma em um hábito, ela passa a comprometer nossa qualidade de vida.

    É comum ouvirmos conversas centradas no trânsito caótico, no chefe estressado, no filho que não corresponde às expectativas, no cônjuge que parece não evoluir ou nas dificuldades financeiras. Aos poucos, esse padrão faz com que o cérebro desenvolva uma espécie de filtro, passando a enxergar quase exclusivamente aquilo que está errado, enquanto as oportunidades, as conquistas e as experiências positivas permanecem despercebidas.

    A neurociência explica esse fenômeno por meio do chamado viés da negatividade. O cérebro humano foi programado para identificar ameaças como estratégia de sobrevivência. Embora esse mecanismo tenha sido essencial para a evolução da espécie, ele pode se tornar um obstáculo quando não é equilibrado pela consciência.

    Quanto mais reclamamos, mais fortalecemos as conexões neurais associadas ao pessimismo, à ansiedade e ao estresse. Em outras palavras, o cérebro aprende a reclamar. Da mesma forma que fortalecemos um músculo ao repeti-lo, também fortalecemos padrões mentais quando insistimos em determinados pensamentos.

    A Psicologia Positiva demonstra que emoções como gratidão, esperança e otimismo favorecem a produção de neurotransmissores relacionados ao bem-estar, como a serotonina e a dopamina. Isso não significa ignorar os problemas ou viver em uma realidade ilusória. Significa desenvolver a capacidade de olhar para as dificuldades sem perder de vista as possibilidades de crescimento e transformação.

    Outro aspecto frequentemente negligenciado é a influência da respiração sobre o estado emocional. Quando reclamamos repetidamente, nosso corpo permanece em estado de alerta. A respiração torna-se curta, acelerada e superficial, ativando o sistema nervoso simpático, responsável pelas respostas de luta, fuga ou congelamento.

    Permanecer nesse estado por longos períodos favorece o desgaste físico e emocional, reduz a capacidade de concentração, interfere na qualidade do sono e compromete a saúde mental.

    Perceber esse padrão é o primeiro passo para transformá-lo. A consciência rompe o piloto automático e nos devolve a liberdade de escolher como responder aos acontecimentos da vida.

    Nem sempre podemos controlar aquilo que acontece conosco, mas podemos observar como nossa mente interpreta cada situação. Quando compreendemos que o cérebro aprende por repetição, percebemos que também podemos ensiná-lo a desenvolver novos caminhos.

    No próximo artigo, veremos como substituir o hábito da reclamação por práticas simples capazes de restaurar o equilíbrio emocional, fortalecer a gratidão e transformar nossa maneira de viver.



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