Cintia Antonacci
Sua história tem valor: por que tantas mulheres subestimam a própria trajetória?
Tem mulher que olha para a própria trajetória e pensa:
“Eu não fiz nada demais.”
Eu discordo.
Porque, muitas vezes, aquilo que você considera apenas parte da sua vida é justamente o que construiu a profissional e a mulher que você é hoje.
E existe uma coisa que aprendi trabalhando tantos anos com marcas: não basta ter valor. É preciso saber onde ele está, como apresentá-lo e fazer com que ele seja percebido.
Com a nossa história não é diferente.
O que você chama de experiência pode ser um diferencial
No Trade Marketing, existe uma pergunta que fazemos o tempo todo:
O que vai fazer esse produto ser escolhido no ponto de venda?
Porque não adianta ter um bom produto escondido em uma prateleira qualquer.
Ele precisa ganhar espaço. Precisa ser visto. Precisa fazer sentido para quem está escolhendo.
Com a nossa trajetória acontece algo parecido.
Você pode ter anos de experiência, ter enfrentado situações difíceis, aprendido a liderar, negociado, recomeçado, estudado, cuidado da família, mudado de cidade, empreendido ou simplesmente seguido em frente quando parar parecia mais fácil.
Mas se você olha para tudo isso e pensa “foi só o que eu fiz”, talvez esteja deixando de enxergar o tamanho do seu próprio repertório.
Presta atenção nisso: experiência não é apenas aquilo que aparece no currículo.
É também aquilo que você aprendeu enquanto vivia.
Quantas vezes você diminuiu o que fez?
“Foi só um trabalho.”
“Eu apenas ajudei.”
“Eu tive sorte.”
“Qualquer pessoa faria.”
Será?
Às vezes, você chama de sorte aquilo que foi preparação.
Chama de obrigação aquilo que exigiu coragem.
Chama de rotina aquilo que levou anos para aprender.
E chama de “nada demais” algo que outra mulher talvez ainda esteja tentando descobrir como fazer.
Vou te falar uma verdade: quando você mesma reduz a importância da sua trajetória, pode acabar ensinando os outros a fazerem o mesmo.
Não estou falando de se colocar acima de ninguém.
Estou falando de reconhecer o que você sabe, o que viveu e o que pode entregar.
Isso também é posicionamento.
Sua marca pessoal começa muito antes das redes sociais
Quando falamos em marca pessoal, muita gente pensa logo em Instagram, LinkedIn, foto profissional, seguidores e conteúdo.
Mas marca pessoal começa antes disso.
Começa na percepção que você tem sobre si mesma.
Se você não consegue identificar seus diferenciais, contar sua trajetória e explicar o que aprendeu ao longo do caminho, fica muito mais difícil mostrar ao mercado o que você pode oferecer.
Marca pessoal não é criar uma personagem interessante. É dar clareza ao que já existe em você. Sua história não precisa parecer extraordinária. Ela precisa fazer sentido.
Porque talvez o seu diferencial não esteja em uma grande conquista.
Talvez esteja na soma de pequenas experiências que ninguém conseguiria reproduzir exatamente como você viveu.
O que existe na sua história que ainda não ganhou nome?
Essa pergunta pode mudar a forma como você olha para sua carreira.
Talvez você tenha desenvolvido uma capacidade enorme de resolver problemas.
Talvez saiba conversar com pessoas completamente diferentes.
Talvez tenha aprendido a se adaptar.
Talvez consiga enxergar oportunidades onde outras pessoas enxergam apenas dificuldades.
Talvez tenha passado por um momento profissional difícil e descoberto uma força que nem sabia que tinha.
Isso tudo é repertório.
E repertório acompanha você mesmo quando o cargo muda, a empresa muda ou até a profissão muda.
Aqui está uma coisa que eu gostaria que mais mulheres percebessem: você não começa do zero quando muda de caminho. Você leva consigo tudo aquilo que aprendeu.
E se os próximos capítulos forem diferentes?
Talvez você esteja pensando em mudar de carreira.
Talvez queira empreender.
Talvez queira voltar a estudar.
Talvez esteja pensando em viajar mais.
Talvez esteja descobrindo um interesse que nunca teve tempo de explorar.
Ou talvez simplesmente esteja sentindo que a vida profissional que funcionou até aqui não combina mais tanto com a mulher que você se tornou.
Não descarte essa sensação.
Ela merece ser investigada.
Porque amadurecer também é perceber que algumas escolhas fizeram sentido para uma fase da vida e podem não fazer mais para a próxima.
E tudo bem.
Você não precisa jogar fora a história que construiu.
Pode usar essa história como ponto de partida.
Comece por três perguntas
Antes de pensar em currículo, Instagram, LinkedIn ou qualquer estratégia de posicionamento, sente com você mesma e responda:
O que eu vivi que me tornou quem sou hoje?
O que essas experiências me ensinaram?
O que eu sei fazer hoje por causa de tudo que vivi?
Não responda pensando no que seria bonito publicar.
Responda com honestidade.
Talvez você encontre habilidades que nunca colocou no currículo.
Talvez descubra interesses que ficaram esquecidos.
Talvez perceba que não quer abandonar tudo — apenas quer usar sua experiência de uma maneira diferente.
E talvez descubra que existe uma nova possibilidade profissional escondida justamente naquilo que você sempre considerou comum.
Minhas infinitas, não diminua uma trajetória inteira só porque você já se acostumou com ela.
E se você está pensando em mudar de direção, talvez não precise perguntar:
“O que eu vou começar do zero?”
Talvez a pergunta seja:
“O que eu já construí que pode me levar para um lugar novo?”
E reconhecer o valor da sua trajetória também é aprender a ocupar novos espaços. Quer aprofundar essa reflexão? Clique aqui e leia minha matéria na Revista Salto: “Do ponto extra ao destaque profissional: como ocupar espaços sem perder autenticidade”. Porque ocupar espaço não é deixar de ser quem você é. É permitir que o seu valor seja percebido.
E lembre-se a sua próxima escolha é ser uma Mulheres de Diversas Belezas
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