Sergio Sandeers
Nas ondas do Rádio
Nostalgia no espetáculo de Teatro de Revista
Belissima cena do teatro musical 100 anos de rádio do Brasil, ou um pouco mais. Temos que celebrar não é mesmo? Talvez o mais popular de todos os meios de comunicação, o rádio, amigo fiel das horas certas e incertas. Quem nunca passou o dia na companhia de um rádio ligado? Ouvindo canções de amor se estiver apaixonado, ouvindo notícias se quiser ficar informado, ouvindo esporte, entrevistas... O rádio é grande companhia. Dizem que a sua popularidade se dá porque podemos imaginar em imagens os sons que do Rádio saem. E cada um de nós da cor e sentido ao seu próprio sonho, idealizando aquela música, aquele artista, aquele cantor...
Há inclusive a tradicional história de quem se apaixona pela voz de veludo de um apresentador de rádio achando que ele é Clark Gable e ao conhecer pessoalmente vem a desilusão de que é só uma pessoa normal...
O rádio nasceu oficialmente no Brasil em data cívica no dia 7 de setembro de 1922, no Centenário da independência. Uma belíssima exposição nacional foi organizada no Rio de Janeiro, então capital da República e o precursor da rádio Edgard Roquette-Pinto gravou e transmitiu o discurso do presidente Epitácio...
O espetáculo musical "Nas ondas do Rádio" encenado em Belo Horizonte, no Palácio das artes, grande sucesso de público e crítica, é passado exatos 30 anos após o início do Rádio no Brasil em 1952 época do segundo Governo Vargas e época de ouro do Rádio Nacional. No espetáculo todo o glamour da Rádio Nacional do Rio de Janeiro é encenado por uma tradicional apresentação de Teatro de revista, com direito a vedetes, plumas, paetês, leques, cantores, comediantes, esquetes animadas, comerciais encenados, e até a presença da pequena notável, Carmem Miranda.

Com figurinos muito lindos e luxuosos, cenários marcantes, ótima iluminação, a montagem se destaca por ser alegre, vibrante e muito nostálgica, a plateia canta junto, bate palma, ri, se emociona de verdade. Uma grande celebração a cultura brasileira com montagem de Luiz Duart Produções. "O teatro de revista é como uma revista, tem de tudo um pouco, quadros de humor como Balança mas não cai, são super divertidos e fazem a plateia rir com piadas dos anos 50, isso é bem bacana", destaca Luiz Duart.
No espetáculo há espaço para drama e comédia, fiquei imensamente emocionado com a apresentação de Dalva de Oliveira que encarnou definitivamente a diva no palco. Gostei muito da cena de bang-bang trazendo a atmosfera de um saloon do velho oeste, a cena cômica foi encerrada por show de Can-can e nem eu mesmo consegui segurar na cadeira, tive que levantar e bater palmas em pé. Momento agradável e feliz, teatro é isso, puro divertimento e deleite.
A era do Rádio, musical impecável do início ao fim lembrou muito os musicais de Broadway, porém se guardamos a referência. Nos anos 50, com o Cassino da Urca, é a reconstrução da Europa pós guerra, a Broadway era o Rio de Janeiro, os norte americanos, os europeus, os estrangeiros que vinham aqui no nosso país ver nosso show. Ou seja este musical ilustra um período de grande protagonismo do Brasil em termos culturais...
Em certa cena do musical o narrador diz "agora iremos apresentar uma riqueza brasileira que não é fruto do solo ou subsolo brasileiro, onde se plantando tudo dá, mas é fruto do povo brasileiro, que com talento e graça nos traz a alegria da música"... e é exatamente esse o sentimento que este musical me trouxe.
Nostalgia, alegria, sentimento de patriotismo, sentimento de que o Brasil e o brasileiro quando se empenham de verdade fazem acontecer o que há de melhor... só pensar no nosso carnaval, tido como maior espetáculo da terra.
Fiquemos com esse sentimento. Brasil e brasileiros, nós podemos!
Viva A rádio, viva os 100 anos do radio, viva o teatro de revista, viva o teatro musical, viva o espetáculo Nas ondas do Rádio! Sensacional, aplaudi de pé!







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