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Belo Horizonte,07/02/2026

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    Sergio Sandeers

    O mistério de Eleusis em BH

    Já imaginou ir a Grécia sem sair de Belo Horizonte?

    Sérgio Sandeers
    O mistério de Eleusis em BH Colunatas

    Já imaginou viajar a Grécia sem sair de Belo Horizonte? Impossível? Não... há uma interessante possibilidade no coração da Praça da Liberdade.  Lá você vai se sentir vivendo o mistério de Eleusis. 

    Trata-se das colunatas do pátio do Prédio verde da Praça da Liberdade. Prédio que ficou anos fechado e agora abrigará a Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais.  E também em 2026 receberá uma pinacoteca com exposição de quadros representando um panorama das artes plásticas do nosso estado. 

    O prédio verde, fica na Praça da Liberdade número 470, esquina com a Rua Gonçalves Dias, foi edificado em 1897 e um dos primeiros a ficar pronto na nova capital, Belo Horizonte.  Sua função inicial seria servir a secretaria da agricultura do estado, maior riqueza daquela época,  onde o café era o ouro negro que ditava o curso econômico da nova república.  Ou seja o prédio verde era o coração econômico de Minas Gerais,  dali decisões influenciaram a política do Café com leite, dizendo, inclusive quem seria o futuro presidente no poder. Alternando paulistas e mineiros no Catete.  O estilo do Prédio verde é eclético trazendo inclusive elementos rurais ao centro de uma capital, porém este ecletismo se transmuta em um neoclássico rompante quando adentramos ao pátio ornado por colunas dos estilos gregos. 

    O arquiteto que deu vida ao prédio é de origem pernambucana, José de Magalhães viu em sua juventude o esplendor do neoclássico dentro do período do segundo império brasileiro, tudo era muito estudado para refletir além de beleza estética, beleza cultural. E assim foi feito. Frederico Steckel ficou responsável pela decoração e ornamentação do Prédio e possivelmente a ordem das colunatas seja obra sua, baseada na proporção de Eleusis,  ligada diretamente ao tema da agricultura que seria ali naquele prédio homenageada. 

    O pátio formando interessante retângulo lembra muito um Pithoi grego, uma área de armazenar e estocar alimentos essenciais a sobrevivência anual, tal como um cofre que ao invés de estocar dinheiro estocava alimentos agrícolas. Neste lugar as colunas formam três ordens, as dóricas,  jonicas e corinthias. 

    É fantástico ver a ordenança das colunas. Uma verdadeira viagem a Grécia. Pegar um livro, sentar um pouco no pátio,  é imaginar estar lá na Grécia,  em plena baía de Elefsina,  em frente a ilha de Salomina, onde o festival anual de Tesmoforia é realizado.

    As colunas dóricas são fortes, robustas, e remetem a força do masculino. 

    Já as jonicas possuem bonito ornato de volutas arredondadas, representando a delicadeza e o mistério do feminino.

    As colunas corinthias são as mais elaboradas e sua decoração com folhas de acento remetem ao vegetal, a agricultura e em suma, a união fértil do masculino e feminino resultando na abundância,  símbolo de prosperidade. 

    Na agricultura clássica, da Grécia antiga havia um culto as deusas Demeter e Persefone. Esse culto anual realizado em Eleusis na Ática,  bem pertinho de Atenas era conhecido como o mistério de Eleusis, pois envolvia o desaparecimento de Perséfone e o surgimento do inverno, onde nada se produz e o reaparecimento de Perséfone na primavera onde floresce a vida, tudo nasce, rebrota e renasce. 

    Demeter é a deusa das colheitas, ligada diretamente a fertilidade da terra, ela é responsavel pelo broto vegetal. Ou seja, nada nasce sem a permissão desta deusa. Que também é mãe zelosa de Perséfone. Em um Belo dia Perséfone é raptada por Hades e levada ao submundo onde se casa. Deméter ficou triste com o sumisso da jovem e criou o invermo onde a agricultura para. Zeus propôs um acordo, parte do ano Perséfone fica com seu marido e parte do ano com sua mãe, surgindo assim a abundância da primavera, onde Perséfone sai do submundo, debaixo da terra e brota ao convívio do sol, do ar, da água, esse ritual sublime e benéfico é um ritual transformador, que da Grécia nos inspira aqui em Belo Horizonte.  

    Nos mostrando através do passeio nas colunas gregas do Prédio verde que a agricultura,  o alimento,  o alimentar, gera vida e a eternidade da alma. O ciclo agrário está presente em plena Praça da Liberdade,  você deseja fazer parte desta experiência? Só visitar as colunatas.... vamos lá viver o mistério de Eleusis? 



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