Sergio Sandeers
O mistério de Eleusis em BH
Já imaginou ir a Grécia sem sair de Belo Horizonte?
ColunatasJá imaginou viajar a Grécia sem sair de Belo Horizonte? Impossível? Não... há uma interessante possibilidade no coração da Praça da Liberdade. Lá você vai se sentir vivendo o mistério de Eleusis.
Trata-se das colunatas do pátio do Prédio verde da Praça da Liberdade. Prédio que ficou anos fechado e agora abrigará a Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais. E também em 2026 receberá uma pinacoteca com exposição de quadros representando um panorama das artes plásticas do nosso estado.
O prédio verde, fica na Praça da Liberdade número 470, esquina com a Rua Gonçalves Dias, foi edificado em 1897 e um dos primeiros a ficar pronto na nova capital, Belo Horizonte. Sua função inicial seria servir a secretaria da agricultura do estado, maior riqueza daquela época, onde o café era o ouro negro que ditava o curso econômico da nova república. Ou seja o prédio verde era o coração econômico de Minas Gerais, dali decisões influenciaram a política do Café com leite, dizendo, inclusive quem seria o futuro presidente no poder. Alternando paulistas e mineiros no Catete. O estilo do Prédio verde é eclético trazendo inclusive elementos rurais ao centro de uma capital, porém este ecletismo se transmuta em um neoclássico rompante quando adentramos ao pátio ornado por colunas dos estilos gregos.
O arquiteto que deu vida ao prédio é de origem pernambucana, José de Magalhães viu em sua juventude o esplendor do neoclássico dentro do período do segundo império brasileiro, tudo era muito estudado para refletir além de beleza estética, beleza cultural. E assim foi feito. Frederico Steckel ficou responsável pela decoração e ornamentação do Prédio e possivelmente a ordem das colunatas seja obra sua, baseada na proporção de Eleusis, ligada diretamente ao tema da agricultura que seria ali naquele prédio homenageada.
O pátio formando interessante retângulo lembra muito um Pithoi grego, uma área de armazenar e estocar alimentos essenciais a sobrevivência anual, tal como um cofre que ao invés de estocar dinheiro estocava alimentos agrícolas. Neste lugar as colunas formam três ordens, as dóricas, jonicas e corinthias.
É fantástico ver a ordenança das colunas. Uma verdadeira viagem a Grécia. Pegar um livro, sentar um pouco no pátio, é imaginar estar lá na Grécia, em plena baía de Elefsina, em frente a ilha de Salomina, onde o festival anual de Tesmoforia é realizado.
As colunas dóricas são fortes, robustas, e remetem a força do masculino.
Já as jonicas possuem bonito ornato de volutas arredondadas, representando a delicadeza e o mistério do feminino.
As colunas corinthias são as mais elaboradas e sua decoração com folhas de acento remetem ao vegetal, a agricultura e em suma, a união fértil do masculino e feminino resultando na abundância, símbolo de prosperidade.
Na agricultura clássica, da Grécia antiga havia um culto as deusas Demeter e Persefone. Esse culto anual realizado em Eleusis na Ática, bem pertinho de Atenas era conhecido como o mistério de Eleusis, pois envolvia o desaparecimento de Perséfone e o surgimento do inverno, onde nada se produz e o reaparecimento de Perséfone na primavera onde floresce a vida, tudo nasce, rebrota e renasce.
Demeter é a deusa das colheitas, ligada diretamente a fertilidade da terra, ela é responsavel pelo broto vegetal. Ou seja, nada nasce sem a permissão desta deusa. Que também é mãe zelosa de Perséfone. Em um Belo dia Perséfone é raptada por Hades e levada ao submundo onde se casa. Deméter ficou triste com o sumisso da jovem e criou o invermo onde a agricultura para. Zeus propôs um acordo, parte do ano Perséfone fica com seu marido e parte do ano com sua mãe, surgindo assim a abundância da primavera, onde Perséfone sai do submundo, debaixo da terra e brota ao convívio do sol, do ar, da água, esse ritual sublime e benéfico é um ritual transformador, que da Grécia nos inspira aqui em Belo Horizonte.
Nos mostrando através do passeio nas colunas gregas do Prédio verde que a agricultura, o alimento, o alimentar, gera vida e a eternidade da alma. O ciclo agrário está presente em plena Praça da Liberdade, você deseja fazer parte desta experiência? Só visitar as colunatas.... vamos lá viver o mistério de Eleusis?




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