Glória Barcelos
Constelar é reposicionar
Um Caminho de Transição e Consciência
A Constelação Familiar é uma abordagem terapêutica que visa trazer à luz o que está oculto nos relacionamentos familiares e interpessoais. É uma terapia holística complementar, semelhante a um exame que identifica a raiz do problema. Representa um caminho de transição para uma nova consciência.
O sistema familiar é uma força poderosa que influencia profundamente nossa vida. Quando aprendemos a utilizar essa força a nosso favor, podemos transformar um destino negativo em uma vida mais consciente e alinhada com nossos sonhos.
Podemos comparar a constelação a uma cirurgia emocional: após a sessão, existe um tempo de recuperação e integração que pode durar dias ou meses, isso depende de cada pessoa.
A alma carrega dores que pedem aceitação e rendição. Quando aceitamos aquilo que a constelação revela e confiamos no movimento que se inicia, a vida pode fluir com mais leveza. Não há nada de esotérico: trata-se também da neuroplasticidade do cérebro em ação, promovendo novas conexões e possibilidades de cura. Cada indivíduo vive dentro do seu psiquismo, alimentado diariamente por experiências e crenças. A constelação ajuda a descongelar traumas e incentiva a busca por apoio e transformação do que estava oculto e causando sofrimento.
A Constelação Familiar não substitui a terapia convencional, mas pode complementar e acelerar o processo de cura, pois abre um sistema emocional que estava fechado ou encoberto. A partir dessa abertura, inicia-se um processo de aceitação, honra aos antepassados e reorganização interna. Questões que, muitas vezes, são difíceis de identificar em terapias tradicionais podem emergir na constelação, possibilitando que a pessoa reencontre seu lugar e se reconcilie com seu sistema familiar.
Constelar é como arrumar a casa interior. É aceitar nossa origem. É iniciar uma alfabetização da cura. É permitir que o ser evolua da consciência individual para uma consciência familiar, coletiva e espiritual.
A consciência sistêmica nos leva a compreender que somos seres de relação. Sozinhos, muitas vezes não conseguimos acessar as camadas mais profundas de fracassos profissionais, doenças, vazios emocionais ou dores aparentemente sem explicação.
Nascemos para viver uma vida de abundância, presença, conexão e plenitude. Quando alguém perde a conexão com sua essência, passa a viver sob uma programação mental de vitimização, escassez, busca por culpados e limitações, acreditando agir da melhor forma possível dentro de sua própria consciência.
Em uma única sessão, é possível reconhecer e liberar bloqueios internos que impedem o avanço, reconectar-se com a própria essência e sentir a força de pertencer a algo maior.
Na constelação, não há culpados. Há oportunidades de libertação das amarras, sem julgamentos. A proposta é permitir que a vida flua com mais leveza.
A constelação não muda o passado, mas transforma o olhar e a postura diante da dor e das expectativas, especialmente em relação aos pais. Muitas vezes, as expectativas depositadas na mãe ou no pai vão além do que um ser humano pode oferecer. Dificuldades na relação com a mãe, por exemplo, podem estar ligadas a feridas de falta ou de excesso. Muitas mães, por carregarem dores não curadas, podem agir de forma superprotetora ou sufocante.
Por meio das dinâmicas sistêmicas, é possível equilibrar o sistema familiar, tomar consciência de padrões repetitivos, desbloquear emoções, rever crenças limitantes, integrar a força ancestral e restaurar o fluxo da vida.
Após a constelação, é necessário dar passos concretos na direção dessa nova consciência, pois o que estava oculto nos relacionamentos familiares se torna visível. Frequentemente surgem vínculos de amor e lealdade inconscientes que estavam emaranhados no destino da pessoa, afetando saúde, prosperidade e relacionamentos.
Transformar um amor que adoece em um amor que cura não é simples. O sistema familiar possui uma força imensa e essa mesma força pode ser utilizada para restaurar a ordem e promover mudanças significativas. Quando situações não resolvidas ficam pendentes em uma geração, membros das gerações seguintes podem, inconscientemente, tentar resolvê-las ou permanecer aprisionados a elas.
Estamos aqui para viver plenamente a vida que viemos viver. Para isso, é necessário sair do anonimato emocional, romper padrões repetitivos e restaurar o equilíbrio do nosso sistema familiar.




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