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Belo Horizonte,12/02/2026

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    Saúde mental sai do discurso e entra na legislação

    O que é a NR-01 e por que ela muda a responsabilidade das empresas a partir de 2026


    Saúde mental sai do discurso e entra na legislação

    A NR-01 é a Norma Regulamentadora nº 1, uma regra do Ministério do Trabalho que estabelece diretrizes gerais sobre saúde e segurança no ambiente profissional.

    Em 2025, ela foi atualizada e passou a exigir que as empresas identifiquem e controlem também os chamados riscos psicossociais — ou seja, fatores emocionais que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores, como sobrecarga, pressão excessiva, conflitos, assédio e falta de apoio.

    A partir de maio de 2026, essa exigência passa a ser fiscalizada com aplicação de multas e penalidades.

    Na prática, a saúde mental deixou de ser apenas um discurso institucional e passou a integrar oficialmente a responsabilidade legal das empresas.


    Os números que acenderam o alerta

    Quase meio milhão de afastamentos do trabalho por transtornos mentais foram registrados no Brasil em 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Foram 474,3 mil casos — um aumento de 67% em relação ao ano anterior.

    Em dez anos, os afastamentos saltaram de 170,8 mil para quase 500 mil. Ansiedade e depressão lideram os diagnósticos.

    O impacto também é financeiro: cerca de R$ 3 bilhões por ano são destinados pelo INSS a benefícios relacionados à saúde mental.

    Esse cenário levou o tema a sair do campo subjetivo e entrar definitivamente na legislação.


    O que muda para as empresas

    Com a atualização da NR-01, as empresas precisam incluir os riscos emocionais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) — documento obrigatório que reúne as medidas de prevenção adotadas no ambiente de trabalho.

    Isso significa que não basta dizer que se preocupa com o bem-estar da equipe. É preciso comprovar que:

    • Avalia o ambiente organizacional;

    • Identifica possíveis fatores de estresse;

    • Adota medidas preventivas;

    • Registra essas ações.

    O descumprimento pode gerar multas administrativas que variam de R$ 402 a R$ 6.708 por infração, podendo ser multiplicadas pelo número de funcionários. Além disso, a empresa pode enfrentar ações trabalhistas por dano moral, com indenizações que podem chegar a até 50 vezes o salário do colaborador, conforme a CLT.

                                                        

    Transformando cuidado em ação prática

    “Não basta mais demonstrar boa intenção ou realizar ações isoladas. As empresas precisam mostrar, com registros claros, que estão acompanhando e prevenindo riscos emocionais”, explica Adriana Silva Ribeiro, especialista em gestão de riscos psicossociais e governança corporativa.

    Nesse cenário, surgem plataformas que ajudam empresas a organizar essas informações e acompanhar indicadores de clima organizacional, níveis de estresse e situações de risco.

    A AVIG360, por exemplo, foi criada para transformar percepções sobre o ambiente de trabalho em dados organizados, que podem ser apresentados em auditorias e fiscalizações.

    A ferramenta acompanha fatores como organização das tarefas, relações profissionais, reconhecimento, condições físicas e situações de assédio. Com isso, a empresa consegue agir antes que o problema se transforme em afastamento, processo trabalhista ou crise de imagem.

    “A grande mudança é que o empresário deixa de atuar no escuro. Ele passa a ter informações claras para tomar decisões e demonstrar responsabilidade”, afirma Vicente Ribeiro, founder & chairman da AVIG360.


    Uma tendência que vai além do Brasil

    A exigência brasileira acompanha um movimento internacional. Países da União Europeia já possuem normas específicas para prevenção de riscos emocionais no trabalho, e a ISO 45003 — primeira norma global dedicada à gestão da saúde psicológica — reforça essa direção.

    A saúde mental passa a estar diretamente ligada à reputação, à governança e à sustentabilidade das empresas.


    Mais do que obrigação, mudança de cultura

    A atualização da NR-01 marca uma virada importante: cuidar da saúde mental não é mais apenas uma iniciativa voluntária. É uma exigência legal.

    Empresas que investem em ambientes emocionalmente mais seguros tendem a reduzir afastamentos, melhorar a produtividade e fortalecer relações de trabalho mais equilibradas.

    Quando o cuidado deixa de ser discurso e passa a ter método, registro e responsabilidade, ele se transforma em política institucional — e em proteção para todos.




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