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Brasil,23/02/2026

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    Camila Sol

    Entre juros, dólar e urnas: por que 2026 pode marcar a virada estratégica do varejo brasileiro


    Entre juros, dólar e urnas: por que 2026 pode marcar a virada estratégica do varejo brasileiro


    O varejo brasileiro sempre foi um termômetro sensível da economia. Quando os juros sobem, ele sente primeiro. Quando o crédito aperta, ele encolhe. Quando a confiança melhora, ele reage quase instantaneamente. Em 2026, três movimentos simultâneos começam a redesenhar esse cenário: a sinalização de queda da taxa básica de juros, a valorização do real frente ao dólar e a aproximação das eleições presidenciais.

    Separados, esses fatores já seriam relevantes. Juntos, formam uma janela rara de oportunidade, mas apenas para quem agir com estratégia.

    O início de um novo ciclo de crédito

    O Banco Central do Brasil manteve recentemente a Selic em 15%, mas alterou o tom do comunicado ao indicar possibilidade de cortes graduais a partir de março. O Comitê de Política Monetária (Copom) sinaliza que o ciclo de aperto pode estar perto do fim.

    Se confirmada a expectativa de encerrar 2026 com juros entre 12% e 12,5%, o impacto tende a ser direto sobre o consumo. No varejo, crédito não é acessório; é motor. Parcelamentos mais acessíveis, financiamento menos oneroso e capital de giro mais barato criam dois efeitos simultâneos: famílias com maior capacidade de compra, especialmente em bens duráveis, e empresas com mais fôlego para competir em preço e prazo.

    É nesse ponto que a experiência prática ganha relevância. Para Ricardo Nunes, fundador da histórica rede Ricardo Eletro e atual presidente do Grupo R1, o crédito sempre foi uma ferramenta estratégica, nunca apenas um mecanismo de venda.

    Ricardo construiu uma das maiores redes de varejo do país, com mais de 1.100 lojas espalhadas pelo Brasil e dezenas de milhares de colaboradores, atravessando ciclos de inflação elevada, restrição de crédito e momentos de expansão acelerada. Para ele, juros mais baixos representam oportunidade, mas exigem disciplina.

    Segundo Ricardo Nunes, o varejo que entender o timing do ciclo poderá crescer com mais consistência. No entanto, a expansão precisa ser acompanhada de controle rigoroso da inadimplência e análise criteriosa do perfil do consumidor.

    O dólar mais comportado e a recomposição de margens


    Outro elemento que ganha protagonismo é o câmbio. Em fevereiro, o dólar vem operando na faixa de R$ 5,10 a R$ 5,30. A valorização do real reduz pressões sobre produtos importados e insumos dolarizados.

    Para o varejo, isso significa algo decisivo: margem.

    Quando o câmbio se estabiliza ou recua, há espaço para reposição de estoques com custos menores, negociação mais favorável com fornecedores internacionais e reequilíbrio de preços sem repassar integralmente aumentos ao consumidor.

    Ricardo Nunes ressalta que momentos de câmbio favorável devem ser aproveitados para recompor estoques estratégicos e renegociar contratos. Em sua visão, margem não se recupera apenas aumentando preço; recupera-se comprando melhor e planejando com antecedência.

    Depois de anos comprimindo rentabilidade para sustentar volume, muitas redes podem encontrar agora a chance de reorganizar sua estrutura financeira.

    O efeito eleitoral: consumo, confiança e cautela

    As eleições presidenciais, marcadas para 4 de outubro de 2026, também entram no radar. Historicamente, ciclos eleitorais produzem efeitos ambíguos, pois ampliam a circulação de renda e elevam expectativas em determinados períodos, mas também trazem volatilidade e prudência nas decisões de investimento.

    Para o varejo, o desafio será navegar entre dois movimentos: aproveitar o aumento pontual do consumo e da confiança no período pré-eleitoral e, ao mesmo tempo, proteger-se contra oscilações políticas e possíveis mudanças de rumo econômico.

    Para Ricardo Nunes, o varejo não pode paralisar diante da incerteza política. Ele defende planejamento flexível e capacidade de adaptação rápida. Em sua trajetória empresarial, a leitura antecipada de cenários sempre foi diferencial competitivo.


    A equação estratégica para 2026

    Se o ambiente macroeconômico começa a soprar a favor, isso não significa crescimento automático. O varejo que prosperar será aquele que alinhar cinco frentes essenciais.

    1. Crédito com inteligência, não com euforia. Expandir vendas financiadas, mas com controle rigoroso de inadimplência e análise de risco.

    2. Estoque cirúrgico. Aproveitar o câmbio mais favorável para recompor categorias sensíveis ao dólar, evitando excessos que comprometam o caixa.

    3. Pricing dinâmico. Monitorar a concorrência e ajustar preços com agilidade, equilibrando margem e giro.

    4. Capital de giro estratégico. Renegociar dívidas, alongar prazos e usar o ciclo de juros mais baixos para fortalecer a estrutura financeira.

    5. Comunicação orientada à confiança. Mais do que descontos, o consumidor busca previsibilidade e segurança nas condições oferecidas.

    Na avaliação de Ricardo Nunes, 2026 pode representar um ponto de inflexão para o varejo brasileiro. Ele afirma que o crescimento não será resultado apenas do cenário econômico, mas da capacidade de gestão.

    “O varejo não cresce por acaso. Ele cresce quando juros, câmbio e confiança começam a trabalhar a favor. Quem entender esse ciclo antes vai vender mais, errar menos e sair maior do que entrou”, afirma Ricardo Nunes.

    O cenário está posto. A oportunidade existe. A diferença, como defende Ricardo, estará na organização, na disciplina financeira e na velocidade de execução.




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