Dinheiro e autonomia: o caminho das mulheres rumo à independência financeira
“Quando uma mulher vence, ela abre portas para muitas outras.”
Para muitas mulheres, falar de dinheiro ainda é atravessado por inseguranças, silêncios e até culpa. Ao mesmo tempo, cresce o número de brasileiras que enxergam no empreendedorismo uma ponte para autonomia, autoestima e transformação social. Nesse cenário, histórias como a de Patrícia Baudy, fundadora e CEO da Confidence Semijoias, mostram que a relação com as finanças pode ser ressignificada — e se tornar uma poderosa ferramenta de liberdade.
Quando empreender é também se conhecer
O desejo de ter o próprio negócio foi o ponto de partida. Mas, ao longo da trajetória, vieram aprendizados que ultrapassam o universo das vendas. Organização, disciplina, clareza de metas e inteligência emocional passaram a fazer parte da rotina.
Patrícia sempre acreditou que a prosperidade seria consequência do valor entregue. Essa mentalidade ajudou a construir uma marca que nasceu há 14 anos, em Curitiba, com investimento inicial de R$ 5 mil, e hoje alcança faturamento anual milionário. Mais do que crescimento financeiro, a empresa consolidou um modelo que amplia oportunidades para outras mulheres empreenderem, inclusive sem capital inicial, por meio da revenda consignada.
Os obstáculos invisíveis na relação com o dinheiro
Apesar do avanço feminino nos negócios, ainda existem barreiras culturais profundas. Muitas mulheres iniciam suas atividades sem saber exatamente quanto ganham ou gastam. Precificar corretamente, cobrar clientes e separar as finanças pessoais das empresariais continuam sendo desafios frequentes.
No modelo de consignação, por exemplo, aprender a cobrar é etapa essencial para garantir sustentabilidade. A dificuldade, muitas vezes, não está na venda, mas na segurança de reconhecer o próprio valor.
Há também questões emocionais. Para algumas mulheres, o dinheiro ainda carrega sentimentos de culpa ou medo. Superar esse cenário envolve educação financeira, mas também mudança de mentalidade: enxergar o dinheiro como aliado, não como fonte de conflito.
Crescer com estratégia, não apenas com faturamento
Desde o início, a estratégia foi clara: reinvestir no negócio e entender que o retorno financeiro pode levar tempo. Modelos como o consignado exigem planejamento, pois o dinheiro demora mais a retornar ao caixa. Paciência e visão de longo prazo fazem parte da equação.
Hoje, a gestão financeira da empresa é estruturada sobre três pilares: consistência no lucro real, controle rigoroso do fluxo de caixa e planejamento com reservas para imprevistos. Demonstrativos financeiros são analisados regularmente para garantir que o crescimento seja sólido — porque faturar alto não significa, necessariamente, lucrar bem.
Em 2025, a marca deu mais um passo estratégico ao lançar um novo formato de franquia durante a Feira do Empreendedor do Sebrae, ampliando a presença nacional e reforçando que rentabilidade e propósito podem caminhar juntos.
Separar para fortalecer
Entre os aprendizados mais importantes estão atitudes práticas: manter contas pessoais e empresariais separadas, estabelecer um pró-labore definido e criar reservas financeiras. Imprevistos fazem parte da jornada empreendedora — desde perdas de mercadoria até oscilações no mercado — e preparo é fundamental.
Empreender também exige equilíbrio emocional. Frustrações acontecem, mas a postura diante delas é determinante para a continuidade do negócio.
Investir em pessoas é investir no futuro
Outro diferencial está no olhar para o desenvolvimento humano como estratégia financeira. Incentivo à formação acadêmica, benefícios integrais de saúde e estímulo à qualificação fazem parte da cultura da empresa. O resultado aparece não apenas em números, mas em inovação, engajamento e impacto social.
Hoje, a Confidence reúne dezenas de colaboradores diretos, representantes comerciais, centenas de revendedoras e milhares de pontos de venda espalhados por diversos estados brasileiros — uma rede que gera renda e fortalece a autonomia feminina em diferentes regiões.
Cinco aprendizados para quem está começando
Da experiência prática surgem orientações valiosas para mulheres que desejam construir uma relação mais consciente com o dinheiro:
Separe sempre as finanças pessoais das empresariais.
Entenda que administrar bem é mais importante do que simplesmente ganhar mais.
Conheça seu custo de vida antes de ampliar metas de renda.
Diversifique fontes de receita sempre que possível.
Comece a guardar recursos antes que “sobre” dinheiro.
Mais do que técnicas, essas lições reforçam uma mudança de postura. Quando a mulher assume o controle das próprias finanças, amplia sua liberdade de escolha e inspira outras a fazerem o mesmo.
Autonomia financeira não nasce apenas do lucro. Ela floresce da clareza, da organização e da confiança em si mesma. E, quando uma mulher avança, o impacto se multiplica.





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