Tamyres Barreto
BPCI #10 : Entenda o tabuleiro antes de se tornar jogadora.
Quando foi que comunicar virou uma disputa?
Entenda o tabuleiro antes de se tornar jogadora.
“ Gente não é recurso. Gente é gente.” Já dizia Cortella.
Objetivo do BPCI: Entender o tabuleiro antes de se tornar jogadora
Tema: respeito, valorização e dignidade nas relações humanas e no trabalho
Tempo de leitura: 6 minutos
Quando foi que comunicar virou uma disputa? Talvez no tom de voz. Talvez na falta de repertório. Mas uma coisa é óbvia: muita gente fala, mas em meio ao excesso de ruído, quase ninguém escuta (ou não quer)
Tem uma frase que circula muito por aí e que de tanto ser repetida, quase ninguém mais questiona: “Não é pessoal, é negócio.”
Toda vez que escuto isso, penso em como aprendemos a jogar o jogo errado. Como se o negócio existisse fora das pessoas. Como se decisões não atravessassem histórias, corpos, emoções, dignidade. Porque, no fim das contas... toda estratégia falha quando esquece o elemento essencial do jogo: gente.
Antes de qualquer estratégia, existe um tabuleiro.
E antes de qualquer tabuleiro, existe gente.
A verdade é simples, embora desconfortável: não existe crescimento sustentável quando o humano vira detalhe. Quando pessoas passam a ser tratadas como números, funções ou recursos substituíveis, algo essencial se quebra, mesmo que os indicadores ainda não mostrem.
Respeito não começa no crachá, nem no cargo, nem na pirâmide organizacional. Respeito aparece nas decisões diárias. No tom de voz, na forma de cobrar, na maneira de discordar, na escuta que acontece, ou não.
Lembro sempre de uma provocação do Mário Sérgio Cortella que parece simples, mas é profundamente revolucionária na prática: você não precisa gostar de alguém para respeitá-lo. Respeito não nasce de afinidade, simpatia ou proximidade. Respeito nasce da consciência de que o outro tem valor por existir não apenas por produzir.
E isso não é só discurso bonito, os dados escancaram. A maioria das pessoas consideram essencial o sentir ... sentir-se respeitada no trabalho, mas uma minoria afirma viver isso no dia a dia. O abismo entre expectativa e realidade explica muito do cansaço coletivo, da falta de engajamento, da rotatividade silenciosa, da entrega no modo automático.
Quando a dignidade some, o trabalho vira sobrevivência.
Quando o respeito falta, a colaboração vira obrigação.
Quando a pessoa não é vista, ela devolve o mínimo.
É aí que aparece o erro mais comum e mais caro: tratar gente como recurso.
Guardem isso: Recurso se usa. Gente se encontra. Recurso se extrai. Gente se desenvolve.
Empresas e lideranças que confundem isso até podem ganhar velocidade no curto prazo. Mas, no longo prazo, perdem algo muito mais valioso: confiança, vínculo e sentido. Pessoas respeitadas não precisam ser controladas o tempo todo. Elas se comprometem, pensam junto, criam e permanecem.
Existe um ponto que quase ninguém fala que a valorização não vem do título, ela vem da conduta e a mesma não nasce da autoridade formal, mas da coerência entre discurso e prática. Reconhecimento não é autopromoção,... é ação repetida.
Quem realmente gera valor não centraliza tudo em si. Compartilha, forma, abre espaço e fortalece o sistema. Quando alguém guarda tudo para si, o ambiente empobrece. Quando alguém distribui valor, o ecossistema amadurece.
Por isso, dignidade não é um “extra” da cultura organizacional. É estratégia silenciosa. É vantagem competitiva que não aparece no slide, mas sustenta o resultado. Ambientes onde o respeito é real tendem a ter clima interno mais saudável, menos conflitos, menos desgaste emocional e relações mais sustentáveis.
No fim, respeito não é só ser gentil, é sobre ser justo. É sobre tratar pessoas como pessoas, mesmo quando a conversa é difícil, mesmo quando a decisão é dura, mesmo quando o caminho exige firmeza.
Talvez o convite seja esse: antes de jogar, entenda o tabuleiro.
E lembre-se de quem está nele. Inclusive você mesma.
Vídeo usado para Inspiração do BPCI
https://www.youtube.com/watch?v=f5nb5rsTQ5M
Se esse Bate Papo fez sentido para você... Leva essa ideia pra próxima conversa que você tiver hoje *Criar pontes, também começa fora daqui. :)
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Com carinho,
Tamyres Barreto




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