Tamyres Barreto
BPCI #9 : 2026 - MEI
Preparação para 2026
Calma. 2026 não chega com susto.
Ele chega com mudanças que já estão sendo desenhadas agora, enquanto muita gente ainda está distraída tentando apagar incêndio pequeno. E quem se antecipa atravessa esse novo cenário com menos custo, menos estresse e, principalmente, mais clareza.
Isso não é sobre medo.
É sobre organização.
É sobre olhar para o que já está mudando e arrumar o jogo antes que vire urgência, antes que vire multa, antes que vire aquele cansaço que poderia ter sido evitado.
Um dos primeiros pontos é o tráfego pago. A partir de 2026, anunciar no Instagram e no Facebook tende a ficar mais caro por conta da incidência de impostos sobre mídia digital. Traduzindo de forma simples: o mesmo valor investido não entrega mais o mesmo alcance de antes. E aqui mora um erro comum achar que a solução é parar de anunciar. Não é. O problema real é continuar anunciando do mesmo jeito. O jogo muda e a estratégia precisa acompanhar. Campanhas mais enxutas, criativos melhores, funil mais claro e menos impulsionamento feito no impulso. Tráfego pago deixa de ser gasto e passa a ser decisão estratégica.
Ao mesmo tempo, a reforma tributária começa, de fato, a sair do papel. O novo sistema de impostos entra em fase de transição a partir de 2026 e avança gradualmente até 2033. Pode parecer algo distante, mas já impacta quem emite nota, presta serviço e ainda opera com sistemas antigos. A Nota Fiscal Nacional passa a ser obrigatória em mais situações, o que exige atualização de processos. Nada aqui é motivo para pânico, mas tudo é motivo para não deixar para depois.
Para quem é MEI, os ajustes parecem pequenos, mas exigem atenção. O valor mensal do DAS sobe em 2026 acompanhando o novo salário mínimo. Além disso, multas por atraso passam a incidir quase imediatamente, embora ainda exista prazo para regularizar pendências sem multa. A lógica é simples e direta: MEI desorganizado vira problema rápido. Organização básica evita uma dor de cabeça grande lá na frente.
No Simples Nacional, o recado é igualmente claro. As integrações entre fiscos estão mais fortes e as multas mais rápidas. A boa notícia é que existem períodos de anistia para quem se regulariza dentro do prazo. Quem resolve agora, economiza depois. Quem deixa acumular, paga mais caro financeiramente e emocionalmente.
Outro ponto que precisa de atenção máxima é a soma de rendimentos. A partir de 2026, não dá mais para fingir que CPF e CNPJ vivem em universos separados. A Receita passa a olhar o que entra na empresa e o que entra na pessoa física de forma conjunta. Se essa soma ultrapassar o limite do MEI, o desenquadramento acontece automaticamente. Aqui mora um dos erros mais silenciosos das empreendedoras, justamente porque parece invisível… até não ser mais.
E isso nos leva a um ajuste que já deveria ser regra, mas agora vira proteção real: pessoa física e pessoa jurídica precisam de limites claros. Misturar contas, Pix, entradas e saídas deixou de ser algo que “passa”. O que antes passava, agora aparece. Isso exige definição de pró-labore, separação de contas e um registro mínimo das movimentações.
Por fim, a LGPD deixa de ser discurso bonito e passa a ser prática diária. A fiscalização ficou mais ativa e o consentimento agora precisa ser claro, específico e separado por tipo de dado. Formulários, listas, WhatsApp e cadastros precisam estar minimamente alinhados. LGPD não é só para empresa grande. É para qualquer negócio que lida com dados de pessoas ou seja, praticamente todos.
No fim das contas, 2026 não vem para punir quem empreende.
Ele vem para exigir maturidade e conhecimento.
Quem se antecipa paga menos, sofre menos e cresce com mais segurança.
Quem ignora paga o preço maior em imposto, multa ou estresse.
Sem susto e sem estresse,
Tamyres Barreto




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