Monique Saliba
A Força de Ser: Africanidades, Representatividade e a Construção da Identidade da Infância à Moda
Modelo: Duda CrespinhaNo Brasil, a ancestralidade africana é um pilar fundamental que pulsa na cultura, na história e na formação da identidade. O resgate e a valorização das africanidades se tornaram movimentos cruciais, especialmente no que diz respeito à infância e à luta por mais representatividade e inclusão em todos os espaços. Essa jornada de autoafirmação e reconhecimento atravessa o cotidiano das crianças, influencia a moda e culmina no reconhecimento das grandes "divas" negras que inspiram gerações.
O Berço da Identidade: Infância, Ancestralidade e Inclusão
A infância é o momento chave para a construção da autoestima e do pertencimento. Quando uma criança negra não se vê representada positivamente em livros, brinquedos ou na mídia, sua percepção de si pode ser negativamente afetada. É aí que a inclusão de conteúdos sobre história e cultura africana e afro-brasileira (como previsto nas Leis 10.639/03 e 11.645/08) se torna vital (1.3, 1.7).
A literatura infanto-juvenil afrocentrada desempenha um papel poderoso, apresentando personagens principais negros e negras que permitem às crianças se identificarem e construírem visões de mundo mais amplas e realistas (1.2). Entender a ancestralidade não como algo distante do passado, mas como uma teia que fortalece cotidianamente e conecta todos em uma mesma história é fundamental para a formação de uma identidade positiva e resiliente (1.7, 1.3).
Modelo: Duda Crespinha
Moda como Manifestação e Resistência
O universo da moda, historicamente, contribuiu para a construção de estereótipos racistas no imaginário social (2.1). Contudo, a moda afro-brasileira emerge como uma poderosa arma de resistência e um veículo de ação política (2.2). Estilistas e empreendedores negros utilizam a estética e os tecidos para resgatar e celebrar a identidade perdida durante os séculos de escravidão (2.1).
- Tecidos e Símbolos: Tecidos africanos como Kente, Capulana, Adire e Bogolan carregam simbolismos culturais profundos e narrativas ancestrais. A estamparia se transforma em uma contadora de histórias, levando a herança africana para as passarelas globais (3.2, 3.5, 3.3).
- Representatividade na Indumentária: A roupa africana infantil é uma forma simples e eficaz de valorizar os traços e a cultura afrodescendente, ensinando a criança a se amar com identidade desde cedo (3.4). No mercado da moda, a busca é por inclusão em todas as etapas do processo, do design à passarela, valorizando modelos e profissionais negros, trans e de diferentes biotipos (2.1, 2.6).
Produção: Monique Saliba
Divas e Pets: Símbolos de Poder na Cultura Pop e no Cotidiano
A representatividade negra se manifesta de forma potente através das "divas" - mulheres negras que se destacam em suas áreas e se tornam símbolos de resistência e transformação, como Djamila Ribeiro, que usa sua visibilidade para educar e inspirar (2.3). Elas são modelos de protagonismo que abrem portas e estimulam outras pessoas negras a se enxergarem como protagonistas de suas próprias histórias (2.3, 1.6).
Embora o tema pets não seja central nas discussões acadêmicas sobre africanidades, a forma como a comunidade negra se relaciona com seus animais de estimação, muitas vezes incorporando-os à sua estética e visibilidade nas redes sociais, também reflete a ocupação de espaços e a celebração do cotidiano com orgulho e afeto.
O caminho para a equidade e para o pleno reconhecimento da riqueza das africanidades ainda é longo. Mas, o diálogo em torno da representatividade e da inclusão, da infância à moda, é a força motriz que continua desconstruindo estereótipos e reafirmando a beleza, a história e o poder da cultura afro-brasileira.
Como você acha que a valorização das africanidades pode impactar a autoestima de uma criança na escola hoje em dia?
Produção: Monique Saliba
Representatividade importa
Eu não preciso ser negra para lutar pela representatividade! Luto porque acredito na infância, na empatia e na nova geração uma geração que inclui, respeita e valoriza as diferenças. Educação antirracista já!
Contra a intolerância religiosa
Respeitar a fé do outro é um princípio básico de convivência. Não importa se a pessoa faz o sinal da cruz, estala os dedos, toca o chão ou faz uma oração a fé é individual e merece respeito.
A escola é um espaço laico, mas isso não significa silenciar ou banir manifestações culturais e religiosas. Muito pelo contrário: apresentar às crianças a diversidade religiosa, sem ensinar nenhuma em específico, é essencial para que elas aprendam a conviver com as diferenças.
Promover esse diálogo é também construir um cenário antirracista e inclusivo, especialmente em um país onde as religiões de matriz africana ainda são injustamente associadas ao mal e sofrem constantes ataques.
Essa postura de “bem e o mal” não cabe mais na educação. O que cabe é urgente, é respeito, conhecimento e convivência com a diversidade cultural e religiosa. Educar para respeitar é educar para viver em sociedade. Chega de levar a visão que religiões de matriz africanas são de pessoas que levam ao mal! Basta!
Imagem: Magno Borges/ Agência Mural




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