Usando a Educação Física como Ferramenta de Cuidado, Inclusão e Transformação Social
Muito mais do que apenas movimento, suor ou desempenho físico.
Imagens Divulgação Para a educadora física Sarah Cristine Pereira, o corpo é também um espaço de escuta, afeto e reconstrução emocional. Essa é a ideia central do livro que nasce de mais de uma década de atuação nos bastidores de diversos projetos sociais e que sustenta a proposta de colocar a Educação Física como protagonista na sociedade contemporânea.
Essa visão é apresentada na obra Educação Física com Propósito, publicada em 30 de julho de 2025. Ao longo das páginas, Sarah compartilha histórias reais vivenciadas em lares de idosos, abrigos e projetos comunitários, como o desenvolvido em Ribeirão Vermelho. Os relatos ilustram como o exercício físico pode ser utilizado como instrumento de inclusão, aceitação e pertencimento.
A autora defende uma abordagem mais humana da Educação Física, que ultrapassa o foco exclusivo no desempenho corporal para considerar o desempenho do cuidado, da escuta e da reconstrução emocional por meio do movimento, especialmente quando aplicada a populações em situação de vulnerabilidade.
O trabalho de Sarah Cristine Pereira tem recebido reconhecimento nacional por abordar temas como saúde pública, inclusão social e regulamentação profissional. Sua atuação também contribui para o debate sobre o escopo legal das atividades dos educadores físicos em projetos comunitários, enfatizando a importância de alinhar boas intenções à formação técnica, ética e à responsabilidade institucional. Para a autora, projetos sociais estruturados devem ir além de iniciativas individuais, promovendo mudanças contínuas e sustentáveis nos territórios onde atuam.

Esse reconhecimento amplia a relevância do debate em um país onde o acesso à atividade física está diretamente relacionado à qualidade de vida e às desigualdades socioeconômicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prática de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada pode prevenir doenças crônicas e promover a saúde. No entanto, o acesso ao movimento ainda é profundamente desigual no Brasil.
Uma pesquisa do Datafolha, realizada em dezembro de 2024, revelou que 53% dos brasileiros com mais de 16 anos afirmam praticar algum tipo de exercício físico. A prática é mais comum entre homens do que entre mulheres e diminui significativamente com o avanço da idade, especialmente a partir dos 45 anos. O fator socioeconômico também exerce forte influência: 66% das pessoas com maior nível de escolaridade e renda acima de cinco salários mínimos relataram manter uma rotina ativa. Esse índice cai para 41% entre indivíduos com menor escolaridade e para 47% entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos. Entre as classes A e B, a taxa de prática chega a 66%, enquanto nas classes D e E cai para 44%.
Esses dados indicam que pessoas com maior renda apresentam maior regularidade na prática de atividades físicas. Especialistas em saúde alertam que a desigualdade no acesso ao movimento contribui para o aumento do comportamento sedentário no país, impulsionando o crescimento das doenças crônicas e sobrecarregando o sistema público de saúde.
Diante desse cenário, abre-se espaço para o desenvolvimento de políticas públicas e projetos estruturados que compreendam o movimento como uma estratégia de cuidado, prevenção e inclusão social. Em Educação Física com Propósito, Sarah Cristine Pereira propõe uma reconsideração do papel social da profissão e incentiva outros profissionais a refletirem e agirem a partir dessa perspectiva.
A obra consolida a ideia de que a Educação Física pode transformar trajetórias de vida quando entendida e aplicada como uma política de cuidado, inclusão e compromisso social.





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