Da riqueza ao colapso
Como decisões políticas levaram a Venezuela à maior crise de sua história.
Wikipedia Durante grande parte do século XX, riqueza era sinônimo de Venezuela na América Latina. Rica em petróleo e estrategicamente localizada, o país já foi uma das economias mais promissoras do mundo.
No entanto, uma série de más escolhas políticas transformou essa riqueza em dependência, autoritarismo e miséria. Hoje, o país está à mercê de um dos maiores colapsos econômicos e sociais de todos os tempos, com o nome de Nicolás Maduro no centro desse processo.
A época de ouro: petróleo, tecnologia e crescimento
A Venezuela viveu sua era dourada entre as décadas de 1950 e 1980. Impulsionada por tecnologia e investimentos estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos, o país emergiu com uma poderosa economia de extração e refino de petróleo. Caracas era uma das capitais mais modernas do continente, a moeda venezuelana era forte e o poder de compra da população era elevado.

Credito de imagem: Arquivo : "Esquina de Gradillas a Sociedad, Caracas, 1950. Coleção Pozueta, Arquivo Audiovisual da Biblioteca Nacional.jpg."
Esse crescimento, no entanto, foi construído sobre bases instáveis: a dependência quase total do petróleo. O Estado venezuelano deixou de investir de forma consistente em agricultura, indústria e inovação tecnológica, tornando a economia vulnerável às oscilações do mercado externo.
O erro estrutural que abriu caminho para o populismo
Sem diversificação econômica, cada queda nos preços do petróleo gerava crises internas. Esse ambiente alimentou uma retórica populista que prometia justiça social como solução para os problemas do país. Foi nesse contexto que Hugo Chávez chegou ao poder em 1999, lançando o chamado “socialismo do século XXI”.
Sob o pretexto de corrigir desigualdades, o novo regime promoveu uma ampla nacionalização de empresas do setor privado, inclusive na indústria do petróleo. Como consequência, afastou investimentos e comprometeu a capacidade produtiva do país nos mercados nacional e internacional.
A erosão das instituições e o chavismo

"Hugo Chávez, presidente da Venezuela de 1999 a 2013 "- Credito da imagem: Retirado de Wikipedia
Nos anos seguintes, o chavismo consolidou um modelo de poder baseado no controle estatal:
- Cooptação das Forças Armadas.
- Manipulação do Parlamento e do Judiciário.
- Repressão à imprensa e à oposição.
- Uso da receita do petróleo para programas sociais assistencialistas.
Embora esses programas tenham sido populares no curto prazo, falharam em gerar crescimento sustentável. Sem investimentos na ampliação da capacidade produtiva, a economia passou a consumir mais do que produzia.
Queda livre, corrupção e isolamento

Credito imagem: Guillermo Olmo / BBC Mundo / Crédito da imagem: Reuters
"Em Caracas, manifestante da oposição culpa o presidente Maduro por ajudar países aliados enquanto os venezuelanos morrem de fome. Venezuelanos protestam por conta da pobreza no país com cartazes dizendo que o salário não lhes permite comer e que não há luz, água e/ou gás."/ Imagens retiradas do site BBC.com.
A situação se deteriorou ao longo dos anos. Sem manutenção adequada e tecnologia, a produção de petróleo caiu drasticamente. O país passou a importar alimentos e bens básicos, a dívida pública disparou e a inflação aumentou vertiginosamente.
O salário mínimo venezuelano perdeu praticamente todo o seu valor, chegando a equivaler a poucos reais por mês. Milhões de cidadãos migraram para outros países em busca de sustento.
Paralelamente, denúncias internacionais de corrupção sistêmica, violações de direitos humanos e ligações do regime com o tráfico de drogas ganharam repercussão global, resultando em sanções econômicas e isolamento diplomático.
Nicolás Maduro e o aprofundamento da ditadura
Após a morte de Hugo Chávez, Nicolás Maduro assumiu o poder e aprofundou o autoritarismo. As eleições passaram a ser amplamente contestadas, opositores foram perseguidos e o regime consolidou controle quase absoluto sobre as instituições.
Nesse contexto, cresce o debate internacional sobre a responsabilização de Maduro por crimes contra a humanidade, corrupção e práticas antidemocráticas. Esse cenário não surge de forma isolada, mas como consequência direta de um projeto político equivocado que conduziu o país ao colapso e levanta a possibilidade de sua queda ou prisão.

"Com alta dependência de importações, a Venezuela vive um grande desabastecimento" / Crédito: Epa- BBC.com
Interesses internacionais e reconstrução
A reconstrução da Venezuela exige assistência externa. O petróleo venezuelano é pesado, de difícil refino, e o país não possui nem tecnologia nem capital para retomar a produção de forma autônoma. Os Estados Unidos demonstram disposição para cooperar, mas deixam claro que qualquer acordo dependerá de interesses estratégicos.
Empresas foram nacionalizadas no passado, investimentos foram perdidos, e a retomada das relações dependerá de garantias jurídicas e políticas. No cenário internacional, isso não é exceção: as relações entre países são guiadas por interesses, não por caridade.

JUAN BARRETO/AFP Getty Images
"Quando Maduro convocou uma Assembleia Constituinte, a Venezuela foi tomada por uma onda de protestos violentos em 2017; mais de 100 pessoas morreram. As forças de segurança do Estado venezuelano reprimiram os protestos que tomaram o país em 2014 e 2017." / Fonte BBC.com.
Conclusão: aprendizados do caso venezuelano
A tragédia venezuelana serve como um alerta ao mundo: riqueza natural não garante prosperidade. Mesmo países ricos podem entrar em colapso sem instituições sólidas, responsabilidade fiscal, liberdade econômica e democracia.
O fracasso do modelo socialista adotado, aliado à corrosão das instituições e à corrupção, levou a população à pobreza extrema. A reação popular contra o regime e a demanda por mudanças são provas evidentes desse sofrimento.
A Venezuela só poderá retomar o caminho da prosperidade com o retorno à democracia, segurança jurídica, transparência econômica e apoio internacional, aprendendo, enfim, com os erros que transformaram abundância em escassez.





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