Camila Sol
Cozinha Mineira em noite de celebração no Palácio da Liberdade
Evento reuniu lideranças e celebrou a força da gastronomia mineira como patrimônio cultural, turístico e econômico.
No dia 2 de fevereiro, das 19h às 23h, o Salão de Banquetes do Palácio da Liberdade se transformou em um verdadeiro território de sabores, memórias e identidade. Em uma noite marcada pelo encontro entre tradição e sofisticação, a gastronomia mineira foi a grande protagonista de uma ação institucional que reforça seu papel como patrimônio cultural imaterial e como um dos mais relevantes produtos turísticos do estado.
Com a cobertura da Revista Salto e a participação da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o evento evidenciou a força do setor de alimentação fora do lar e sua conexão direta com o turismo, a cultura e a economia criativa. A presença da entidade fortaleceu a articulação com o trade gastronômico, ampliando a visibilidade da Cozinha Mineira e estimulando novos negócios, parcerias e oportunidades.
Mais do que um jantar, a experiência foi um manifesto sensorial sobre Minas Gerais — um convite para navegar por ingredientes afetivos, técnicas tradicionais e releituras contemporâneas que revelam a riqueza de um estado onde cozinhar é, antes de tudo, um gesto de acolhimento.
A relevância do encontro também foi evidenciada pela presença de importantes lideranças e representantes de instituições estratégicas para o desenvolvimento do setor. Estiveram presentes Flávia Badaró, presidente da ABIH; Marcelo Souza e Silva, presidente da CDL e do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas; Mário Arthur, representante da Fecomércio; Cássia Ximenes, secretária adjunta de Comunicação do Governo de Minas; Karla Rocha, presidente da Abrasel em Minas Gerais; Bárbara Botega, da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais; Paulo Solmucci, presidente executivo da Abrasel; e Rosane Oliveira, presidente do Conselho de Administração da Abrasel.

A participação dessas autoridades reforça o peso institucional da iniciativa e evidencia como a gastronomia mineira vem sendo reconhecida não apenas como expressão cultural, mas também como vetor estratégico de desenvolvimento econômico, turístico e social.
Um brinde às origens
A recepção já antecipava o tom da noite: cachaça mineira, welcome drink e um delicado barquinho de comidinhas frias abriram o percurso gastronômico com elegância e autenticidade. Era o primeiro sinal de que cada detalhe havia sido pensado para contar uma história — a história de um povo que transformou a cozinha em herança cultural.

Entradas com alma e memória de boteco
Sob o tema “Entradas com Alma – uma homenagem aos bares com alma”, casas tradicionais inspiraram criações que traduzem a essência boêmia de Belo Horizonte, cidade reconhecida nacionalmente pela potência de seus bares.
O canapé de chips de jiló com patê de fígado e picles de cebola trouxe ousadia e equilíbrio, ressignificando ingredientes clássicos da mesa mineira. Já o torresmo de barriga com gel de limão e coentro apresentou contraste perfeito entre textura e frescor, enquanto a sardinha ao escabeche evocou receitas que atravessam gerações, preservando técnicas que fazem parte da memória afetiva de muitos mineiros.

Assinado pelas chefs mineiras Carol Fadel e Maria Clara Magalhães, da Matula Cozinha, o menu demonstrou maturidade criativa ao unir respeito à tradição com uma abordagem contemporânea — uma característica cada vez mais presente na nova gastronomia de Minas.
Clássicos que contam a história da cidade
Nos pratos principais, a proposta “Os clássicos da cena belo-horizontina” reafirmou a cozinha como expressão da identidade urbana.
O rolinho de frango ao molho pardo com angu de milho, inspirado na tradição do Maria das Tranças, trouxe à mesa a profundidade dos sabores coloniais e a força das receitas que resistem ao tempo. Em seguida, a homenagem ao icônico Rochedão resgatou símbolos da culinária popular, lembrando que a grande cozinha também nasce da simplicidade bem executada.
Do Mercado Central à sobremesa de boteco
A pré-sobremesa fez uma parada afetiva no coração gastronômico da capital: uma mini tábua de queijos celebrou a excelência da produção mineira, internacionalmente reconhecida.
Encerrando a experiência, a sobremesa reafirmou a criatividade característica do estado. O mousse de chocolate meio amargo dialogou com a delicadeza, enquanto a surpreendente pipoquinha de torresmo caramelizada com raspas de cítricos mostrou que a cozinha mineira sabe inovar sem perder sua essência — divertida, inventiva e profundamente saborosa.
Cervejas mineiras, café especial, água e a tradicional limonada acompanharam o jantar, reforçando o compromisso com produtores locais e com a valorização da cadeia gastronômica regional.

Gastronomia como estratégia de desenvolvimento
A iniciativa integra um movimento maior de fortalecimento da Cozinha Mineira por meio da conexão entre políticas públicas, setor produtivo e identidade cultural, em consonância com os objetivos e diretrizes da parceria entre Secult-MG, Codemge e Instituto Mundu.
Ao reunir representantes institucionais, lideranças do setor e profissionais da gastronomia em um dos espaços mais simbólicos do estado, o evento reafirmou que cozinhar também é uma forma de desenvolvimento econômico e social.
Minas não serve apenas pratos; serve histórias. Cada receita apresentada naquela noite carregava sotaques, territórios e afetos — elementos que transformam a gastronomia em uma poderosa embaixadora cultural.
Mais do que celebrar sabores, o encontro consolidou a cozinha mineira como ponte entre tradição e futuro, mostrando que preservar raízes também é um caminho para inovar, gerar oportunidades e projetar Minas Gerais para o Brasil e para o mundo.
Fotos por Mauro Mendonça
Edição Azeitona Comunicação




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