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Belo Horizonte,07/02/2026

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    Aline Costa

    De plantões ao próprio negócio.

    Médicos apostam no empreendedorismo para recuperar autonomia na carreira.

    Créditos: Pixabay
    De plantões ao próprio negócio.

    Um movimento silencioso cresce sob o jaleco no Brasil. Cansados de jornadas exaustivas, baixa remuneração dos planos de saúde e pouco controle sobre a própria agenda, médicos de diferentes especialidades estão reescrevendo seus caminhos profissionais. O destino dessa virada? O empreendedorismo médico, uma tendência ainda discreta, mas em clara expansão.

    Para uma geração de profissionais recém-saídos da residência e desgastados pela lógica dos plantões, abrir o próprio consultório deixou de ser um passo reservado apenas a médicos experientes. Cada vez mais, passa a ser visto como uma escolha estratégica também entre os mais jovens. O desafio, no entanto, é significativo: temas como gestão, finanças e marketing ocupam um espaço mínimo, quando existem, na formação médica tradicional.

    É justamente nesse vácuo que atuam especialistas dedicados a traduzir o universo dos negócios para a realidade da saúde.


    Quando a técnica não é suficiente

    “A faculdade forma médicos tecnicamente brilhantes, mas completamente despreparados para gerir a própria carreira”, afirma Val Freire. 

    Estrategista de marketing médica com mais de 20 anos de experiência e fundadora da consultoria PreparaAção. Segundo ela, o choque com a realidade do mercado costuma ser inevitável.


    “O médico sai da residência empolgado para salvar vidas, mas é jogado em um sistema que paga mal, consome a maior parte do seu tempo e não permite oferecer o cuidado que ele gostaria. O resultado é frustração, burnout e, muitas vezes, sofrimento emocional.”

    Nesse contexto, o empreendedorismo médico representa mais do que ganho financeiro: significa retomar o controle sobre o tempo, o propósito e a qualidade da prática clínica.

    Uma história que revela o problema

    Um dos casos acompanhados por Val Freire ilustra a urgência dessa mudança. Durante um plantão em uma unidade de pronto atendimento, um médico foi feito refém por um paciente armado, episódio que se tornou o ponto final de sua carreira hospitalar. A partir dali, decidiu abandonar os plantões e construir um caminho próprio.

    Com planejamento estratégico, começou atendendo em um coworking médico. Dezoito meses depois, inaugurou seu consultório em um centro empresarial, conquistando independência financeira e controle sobre a própria agenda.


    “Esse não é um caso isolado”, afirma Val, é o retrato de um sistema que empurra bons profissionais ao limite.”


    O “2º Ato” da carreira médica

    A metodologia desenvolvida por Val Freire, chamada de 2º Ato, parte da premissa de que a carreira médica pode e deve ser planejada estrategicamente. A proposta vai na contramão de soluções rápidas e genéricas.

    “Marketing não é postar no Instagram todos os dias. Isso é apenas a ponta do iceberg”, explica.

    O trabalho começa com um diagnóstico aprofundado do profissional: histórico, especialidade, objetivos pessoais, situação financeira e expectativas de vida. A partir disso, são estruturados o plano de negócios do consultório, a estratégia de transição dos convênios para o atendimento particular, a precificação, o posicionamento e a experiência do paciente, tudo em conformidade com as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM).

    Autoridade se constrói, não se improvisa

    Com o aumento da concorrência no setor, diferenciar-se tornou-se uma questão de sobrevivência. Para Val Freire, diplomas e títulos já não garantem, sozinhos, uma agenda cheia.

    “A autoridade hoje é construída com posicionamento claro, comunicação ética e coerente e, uma proposta de valor bem definida. O paciente precisa entender por que aquele médico é a escolha certa e isso, não acontece por acaso.”

    Nesse cenário, o marketing deixa de ser promoção e passa a ser estratégia de carreira.

    Um ciclo virtuoso

    A lógica defendida por Val Freire é simples, mas poderosa: médicos que assumem o controle da própria carreira vivem melhor e atendem melhor.

    “Quando o profissional tem autonomia financeira e de agenda, consegue oferecer mais atenção, mais escuta e mais qualidade ao paciente. É um ciclo virtuoso. O talento não pode ser desperdiçado por falta de estratégia.”

    Em meio ao avanço das discussões sobre saúde mental na medicina, o empreendedorismo médico surge como uma resposta prática a um problema estrutural. Menos romantizado, mais planejado e cada vez mais necessário.


    Quem é Val Freire


    Val Freire é estrategista em Marketing Médico e fundadora da PreparaAção. Formada em Marketing pela Universidade Estácio de Sá, possui mais de 20 anos de experiência em planejamento estratégico e especializações em Comunicação e Planejamento (FGV), Experiência do Paciente (Patient Centricity Consulting) e LGPD na Área da Saúde (Medical Defense). Atua ajudando médicos a migrarem de plantões e convênios para uma atuação sustentável em consultórios particulares.

    Redes sociais

    Instagram: @preparaacao.marketingmedico

    LinkedIn: PreparaAção Marketing Médico




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