Tamyres Barreto
BPCI #12: Para quem eu escrevo?
Antes de pensar no público, é preciso reconhecer quem escreve
Pergunta reflexiva: Para quem eu escrevo?
Objetivo do Bate Papo com Ideia: provocar reflexão sobre identidade, autenticidade e posicionamento na escrita, ajudando colunistas e empreendedores a compreenderem quem são antes de definir para quem comunicam.
Tema: identidade, escrita autoral e comunicação consciente no empreendedorismo.
Tempo de leitura: 6 minutos
Para quem você escreve? Essa pergunta me pegou. Mas, antes de pensar em quem está do outro lado da tela, o incômodo veio diferente: “mas pera aí… e quanto a mim?”. Porque, antes de entender para quem eu escrevo, eu preciso entender quem escreve. Antes do “para quem”, existe a minha identidade, meus gostos, meus valores e a minha autenticidade.
Acho válido, inclusive, começar por aí: quem sou eu? Parece simples, mas quando essa pergunta é compreendida com verdade, transforma de dentro para fora. De acordo com o Google Review, identidade é um conjunto de aspectos sobre vida e/ou personalidade. Achei curioso. Para mim, identidade é mais do que isso: é a construção contínua do que eu fui, do que venho me tornando e do que ainda quero ser. Essa percepção me sacode por dentro, no âmbito pessoal e profissional.
Às vezes, a gente empreende sem rumo na maioria dos dias. Aprendi a lidar com esse leve incômodo, porque, quando entendemos o porquê, tudo começa a fluir. Consegui compreender que a identidade se molda através das memórias, das metas, dos valores, do corpo físico e mental, da minha história, da história do outro e, claro, da narrativa que escolho sustentar, com passado, presente e futuro coexistindo.
A gente se forma na relação com o mundo, mas será mesmo que sustentamos aquilo em que acreditamos? Escrever, muitas vezes, é isso: acreditar no que se coloca para fora e sustentar. Você não apaga um artigo, um livro ou uma coluna depois de publicar, apaga?
A busca pelo “quem sou eu” não é vaidade. Ela é cotidiana. Para mim, é sobre compreender e comunicar com verdade a própria existência. Porque tudo o que você escreve carrega quem você é, mesmo quando tenta esconder. Eu chamo isso de Escrita Solta. Tenho muitos textos soltos em cadernos e nas notas do telefone. Essa é a escrita que mais amo, porque nasce do que precisa sair de dentro. Foi a partir dela que comecei a pensar mais profundamente sobre identidade e quis entender como isso aparece quando tentamos definir em palavras não apenas nos textos soltos.
Entre conceitos e definições, uma compreensão ficou clara: identidade não é algo pronto. É construção contínua, feita de memórias, valores, corpo, história e narrativa. Aquilo que nos torna singulares. Outra ideia que fez muito sentido para mim foi a de viver com propósito: alinhar ações a crenças profundas e, muitas vezes, à espiritualidade. A identidade se forma no mundo, mas também se sustenta por dentro e se constrói na relação com os outros, formando rede, nicho, público, leitores, amigos. Entende?
Entre os aspectos citados na pesquisa, alguns me tocaram mais forte: espiritualidade, autoconhecimento e propósito. São pontos que carregam meus valores e os temas que mais amo ler e escrever. É nesse lugar que eu paro de performar e começo a existir com mais verdade.
Foi aí que a associação ficou clara: a forma como eu percebo quem sou influencia diretamente para quem eu escrevo. Porque o “para quem” não nasce de uma estratégia fria, mas do alinhamento entre quem eu sou, no que acredito e o que escolho comunicar.
Antes de segmentar, a gente precisa se reconhecer. E, antes de falar com o outro, precisa saber quem está falando. Essa coluna nasceu depois que Adri Fernandes compartilhou, no grupo dos colunistas da Revista Salto, as novas orientações editoriais. As perguntas não me travaram. Elas me deram sede. Sede de Escrita Solta e, principalmente, de orientar. Porque, quando a gente entende o porquê, o resto se organiza.
Hoje consigo responder com mais precisão e talvez isso também ajude você. Ao pensar em escrever qualquer coisa, precisamos saber quem somos. É isso que sustenta a identidade de quem escreve. Usarei a mim como exemplo: para quem eu escrevo? Qual objetivo pretendo alcançar ao divulgar o que escrevo?
Eu escrevo para empreendedores. Meu público principal são mulheres, mas também falo com homens, pessoas entre 20 à 60 anos. Falo sobre o empreendedorismo que eu amo, mas que também esgota. Segmento esse tema com subtemas como comunicação, posicionamento, marketing, mundo virtual e mundo real, sempre lembrando que eu sou humana e quem lê também é.
Hoje, nesta coluna, eu escrevo para você, colunista da Revista Salto. Minha expectativa é simples e necessária: que este texto deixe ao menos um feixe de significado sobre quem você é e para quem escolheu escrever. ''Porque gente não é recurso. Gente é gente" (Cortella). Leia o BPCI 10 ou ouça o episódio no meu podcast no Spotify, onde amplio essa conversa sobre.
E agora, as perguntas que ficam e que não podem ser ignoradas:
Quem é você?
Qual é o seu nicho?
Bate Papo com Ideia é sobre comunicar criando pontes, não argumentos.
Com carinho,
Tamyres Barreto
Texto autoral de Tamyres Barreto. Projeto Bate Papo com Ideia, janeiro/2026. Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais). A reprodução total ou parcial, sem autorização da autora, não é permitida.




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