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Belo Horizonte,07/02/2026

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    Tamyres Barreto

    BPCI #11 : É Preciso dar um jeito, meu amigo.

    Adiar virou uma opção confortável demais?


    BPCI #11 : É Preciso dar um jeito, meu amigo.

    Pergunta reflexiva: Quando foi que adiar virou uma opção confortável demais?
    Objetivo do Bate Papo com Ideia: Provocar consciência sobre decisão, responsabilidade e o custo invisível do adiamento.
    Tema: Decisão, procrastinação, conforto e empreendedorismo.
    Tempo de leitura: 7 minutos

    É preciso dar um jeito, meu amigo. ♫ Erasmo Carlos

    Dar um jeito. No português, a expressão significa resolver, providenciar, encontrar uma saída, mesmo quando o cenário não ajuda. Agora, para mim e talvez para você, dar um jeito é mais simples e mais duro: sem discussão. Acredito que o verso de Erasmo Carlos não é uma poesia confortável. E talvez seja exatamente por isso que ele atravessa tanto. Erasmo Carlos não embala. Ele te sacode. Deixa um convite direto à tomada de decisão e à responsabilidade pessoal. Na letra, ele falava de uma geração cheia de consciência, mas cansada de esperar. Suas letras orbitam esse ponto incômodo: entender não é o mesmo que agir. Compreender o mundo já não basta. É preciso se posicionar dentro dele.

    Unindo isso à minha jornada no empreendedorismo, esse verso funciona como um alerta. Porque chega um ponto em que pensar demais vira adiamento de metas, de sonhos, de movimento. E adiamento, quando vira hábito, passa a ser muito custoso: custo emocional, criativo, financeiro, estratégico, entre outros. Outra palavra entra inevitavelmente nesse bate-papo: a danada da procrastinação. Se eu parar para contar quantas vezes procrastinei, eu acho que ganho de você, com folga (risos).

    O bom é que a ciência ajuda a tirar esse peso moral do tema. Estudos em psicologia comportamental mostram que cerca de 20% dos adultos são procrastinadores. E convenhamos: ninguém procrastina porque é incapaz; procrastina porque, em algum nível, agir ameaça o conforto. No discurso empreendedor, isso costuma soar assim: “amanhã eu resolvo”; “não tenho tempo agora para um curso”; “amanhã eu emito a nota fiscal”; “amanhã eu ouço o áudio”; “amanhã eu mudo os valores”; “amanhã eu envio o contrato”.

    Existe amanhã para quem empreende pensando assim?

    Poucas empresas quebram de repente, e isso é um ponto importante. Relatórios estratégicos de grandes consultorias mostram um padrão consistente: organizações que demoram a reagir a mudanças relevantes de mercado perdem competitividade, mesmo quando têm bons produtos e times qualificados. Não é falta de inteligência; é lentidão decisória. E, no jogo do mercado, quem joga devagar demais vira cenário para o movimento do outro.

    Diante disso, entra o desenvolvimento pessoal, mas com um alerta. Existe uma armadilha moderna travestida de maturidade: transformar autoconhecimento em espera permanente. Ler, ouvir, refletir, planejar, conversar… tudo isso importa. Mas nada disso substitui o momento em que você assume risco real. A psicologia chama isso de tendência de manter a situação atual, mesmo quando mudar traria ganhos. O cérebro prefere o familiar ao possível.

    Crescer não é eliminar o medo. É decidir apesar de ele existir.

    Esse é o verdadeiro refresh: interromper padrões antigos, sair do modo automático. E foi aí que eu comecei a me observar e respondi, com honestidade, à pergunta que evitava: o que eu sinto no conforto da procrastinação?

    Peguei papel e caneta e escrevi: irritabilidade, falta de criatividade, incerteza, medo, síndrome do impostor, ansiedade, angústia, cobrança, vergonha, perda, culpa… nossa, gente, continuo? Olhei aquela folha e pensei: qual a necessidade disso? Por que eu estou tornando o meu dia mais sofrido? Não foi rápido, tá? Não se iludam. Mas foi breve.

    Minha tomada de decisão foi quase infantil de tão simples:

    Um, dois, três… vou fazer.
    Um, dois, três… vou acordar.
    Vou comprar.
    Vou marcar.
    Vou arrumar.
    Vou estudar.
    Vou limpar.

    Vou, vou, vou… infinito. Não sei vocês, mas pensar demais me cansa. E, mais do que isso, me rouba a presença.

    Foi ali que eu criei uma regra interna que carrego até hoje: não negocio mais com os meus pensamentos.
    Se eu marquei, eu vou.
    Se eu comprei, eu uso.
    Se eu decidi, eu sustento.

    Chega de tarefas empurradas para depois.
    E, quando vi a lista resolvida, parei e pensei: cadê aqueles sentimentos?
    Como se não existissem mais, pelo menos por hoje.

    Porque, no fim, o verso continua ecoando.
    Simples. Implacável. E sempre com um sacode:

    “É preciso dar um jeito, meu amigo.”

    Se esse BPCI fez sentido pra você, leva essa ideia para a próxima conversa que você tiver hoje.
    Criar pontes também começa fora daqui.

    Me acompanha nas redes sociais: @tamyresbarreto_

    Texto autoral por Tamyres Barreto
    Bate Papo com Ideia • Janeiro de 2026

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